Nesse momento olhei-a como nunca o tinha
feito… e a minha cabeça foi invadida por uma série de questões, que rodopiavam,
num looping desenfreado: “o que te
aconteceu minha pequena?! Como ficaste deste tamanho?! O que é que aconteceu
nestes dias?!”
Estás enorme, linda e enorme. As tuas mãos
gordinhas acariciavam-me. A tua cara pareceu-me mais madura e mais segura de si
do que em qualquer outro momento. Os teus braços firmes capazes de me sugar
para ti. Os teus olhos… esses teus olhos grandes e de olhar profundo fizeram-me
chorar num misto de felicidade e de nostalgia pelos abraços, beijos e
brincadeiras que ainda não demos nem fizemos. Amo-te tanto. Já tinha percebido
que me estás a fugir por entre os dedos mas neste dia vi para além do que tinha
visto até agora. Continuas a chamar-me Branca de Neves, continuas a querer
brincar às princesas e às bailarinas, continuas a reclamar a minha presença na
hora de dormir, continuas a esquivar-te para a nossa cama, como se não
soubesses sequer como ali vais parar… mas estás enorme, autónoma e senhora do
teu nariz!

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