Regressar a casa significa regressar às
rotinas. Significa regressar diferente para um mundo que seguiu o seu rumo e o
seu ritmo sem que a nossa ausência fosse sequer notada. Somos grandes demais no
“nosso” mundo e pequenos demais no Mundo de todos. E mesmo sabendo que estamos
destinados a viver e a fazer acontecer no “mundo de todos” é mais fácil e
instintivo concentrar o olhar no próprio umbigo do que encarar o horizonte e
redimensionar a nossa posição neste emaranhado de relações, circunstâncias e
desafios. Mas há momentos para tudo. E neste momento escolho olhar o meu
umbigo, escolho apreciar e dedicar-me ao meu pequeno mundo, agora colorido a
dois tons. Sinto a redoma e não me importo. Deixo-me envolver e aceito cada
gesto e cada palavra como um presente. Respiro e olho há minha volta,
indiferente ao que continua para lá destas paredes. Aqui o ritmo do tempo é
diferente, a contagem das horas livre, é um tempo Kairos em que a entrega é
total. É um tempo sem tempo, onde cada momento se eterniza no coração.

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